Resultados das eleições 2009 para a Assembleia da República (não, não era para 1º Ministro):
PS - 36,56% - 2.068.560 votos - 96 deputados
PPD/PSD - 29,09% - 1.646.071 votos - 78 deputados
CDS-PP - 10,46% - 591.938 votos - 21 deputados
B.E. - 9,85% - 557.091 votos - 16 deputados
PCP-PEV - 7,88% - 446.172 votos - 15 deputados
Os resultados "no topo da classificação" foram os esperados. O PS a vencer com maioria relativa e o PSD a ficar em 2º e fragilizado.
A grande surpresa da noite foi mesmo o CDS.
Depois de todas as sondagens apontarem o CDS nos 7% e em 5º, eis que este chega aos 2 dígitos, ultrapassa CDU e rouba o tão anunciado 3º lugar ao Bloco. Mais uma vez fica demonstrada a enorme fragilidade das sondagens.
As reações dos protagonistas também não foram surpreendentes. O PS reclamou uma contundente vitória, o que não deixa de ser estranho uma vez que perde maioria absoluta e meio milhão de votos. O PSD, obviamente, assumiu-se como derrotado. O CDS, de facto o grande vencedor, exultou com a grande subida em todo o país. O Bloco, reclamando uma grande vitória pela subida protagonizada, quis escamutear o facto de (contra o que eles próprios vaticinavam) não ter conseguido ter passado a 3ª força ou atingir os dois dígitos. O PCP, está visto, ganha sempre. Mesmo quando não ganha.
O que interessa abordar neste momento são os possíveis cenários governativos.
Parece, pelo posicionamento dos partidos, que coligações estão fora da mesa. De facto, PS só faria maioria absoluta em cenários como PS+PSD, PS+CDS ou PS+BE+CDU.
Todas estas três hipóteses não são prováveis, todos os partidos já negaram hipótese de coligação com PS, o que não admira.
Portanto, o plano que se vai apresentar andará à volta de acordos ora à direita, ora à esquerda (consoante o tema) na Assembleia da República. A única questão será qual o "preço" que cada partido exigirá ao PS por uma abstenção numa determinada votação.
O panorama de "caos" governativo parece-me, manifestamente, exagerado. Guterres governou (ok, é discutível) durante 7 anos com uma maioria relativa. Antes dele, outros o fizeram.
O exercício dum Governo não se prende unicamente com aprovação de leis.
Deixo para último uma pequena análise ao importante resultado do CDS.
O CDS cresceu, o que é muito saudável para esta democracia, principalmente tendo em conta o alarmante peso da extrema-esquerda (fenómeno quase único na UE). De facto, o CDS, por si só, impediu uma maioria absoluta PS+BE ou PS+CDU. Facto digno de se salientar.
A grande questão estratégia que se coloca ao CDS para o futuro só pode ser uma: fazer oposição responsável, apresentar-se como A alternativa aos sucessivos governos formados por dois partidos sociais-democratas e representar, conglomerando o melhor possível, o centro-direita português.
O CDS chegou aos 2 dígitos. Tem de os cavalgar, não se pode contentar.
Já foi um partido com 16%, há que tentar sê-lo outra vez.