quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Pensamento II

Deus é a concretização do Homem perfeito, tudo aquilo a que se pode aspirar e que eternamente servirá como estado de comparação. Até para um ateu, Deus existe pois está-se vinculado à "ideia" dele, que não é nada mais que a materialização imaterial da virtude e do bem.

Desde que se nasce, seja-se crente ou não, haja Deus ou não, está-se vinculado a princípios dogmáticos milenares de génese religiosa que são, nada mais nada menos, do que Ética: 

"Não matarás."; "Não roubarás."...

No caso ocidental, sejam crentes ou não crentes, está-se vinculado a uma sociedade de matriz judaico-cristã que assenta em pedras basilares fundamentais. A problemática incide apenas em questionar que dogmas encontram eco na sociedade e se servem o propósito de facilitar a vivência e o bem comum.

Por isso, o Conservadorismo não é estático nem obstinado em recusar mudanças. Tão somente postula que, como bem disse Churchill, começando uma guerra entre o passado e o presente apenas se descobre que se perdeu o futuro.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Mezinhas

Se procura alívio rápido para as dores mentais, tente primeiro entorpecer-se para de seguida estupidificar.* 


*Medicamento não sujeito a receita médica.

Pensamento

As questões dos nossos tempos não se prendem com problemáticas particularmente existenciais. Discutem-se, em vez destas, questões conjunturais, soluções temporárias, pensos rápidos e milagres.


quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Abrunhosa Charles

Pedro Abrunhosa comparou Rui Rio a Francisco Franco. Analisemos...
Se Rui Rio é um Franco, Abrunhosa é um Estaline.
Mas não.
Não passa de um Ray Charles de 2ª:
Usa óculos escuros e é cego. Só que não sabe cantar.

sábado, 3 de Outubro de 2009

Pormenores

A Irlanda, desta vez, votou "sim" ao Tratado de Lisboa. A nossa
extrema-esquerda deve estar de luto: os Irlandeses passaram de heróis
esclarecidos a bestas ignorantes.

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Depois das eleições...

Resultados das eleições 2009 para a Assembleia da República (não, não era para 1º Ministro):

PS - 36,56% - 2.068.560 votos - 96 deputados

PPD/PSD - 29,09% - 1.646.071 votos - 78 deputados

CDS-PP - 10,46% - 591.938 votos - 21 deputados

B.E. - 9,85% - 557.091 votos - 16 deputados

PCP-PEV - 7,88% - 446.172 votos - 15 deputados


Os resultados "no topo da classificação" foram os esperados. O PS a vencer com maioria relativa e o PSD a ficar em 2º e fragilizado.

A grande surpresa da noite foi mesmo o CDS.

Depois de todas as sondagens apontarem o CDS nos 7% e em 5º, eis que este chega aos 2 dígitos, ultrapassa CDU e rouba o tão anunciado 3º lugar ao Bloco. Mais uma vez fica demonstrada a enorme fragilidade das sondagens.

As reações dos protagonistas também não foram surpreendentes. O PS reclamou uma contundente vitória, o que não deixa de ser estranho uma vez que perde maioria absoluta e meio milhão de votos. O PSD, obviamente, assumiu-se como derrotado. O CDS, de facto o grande vencedor, exultou com a grande subida em todo o país. O Bloco, reclamando uma grande vitória pela subida protagonizada, quis escamutear o facto de (contra o que eles próprios vaticinavam) não ter conseguido ter passado a 3ª força ou atingir os dois dígitos. O PCP, está visto, ganha sempre. Mesmo quando não ganha.

O que interessa abordar neste momento são os possíveis cenários governativos.

Parece, pelo posicionamento dos partidos, que coligações estão fora da mesa. De facto, PS só faria maioria absoluta em cenários como PS+PSD, PS+CDS ou PS+BE+CDU.

Todas estas três hipóteses não são prováveis, todos os partidos já negaram hipótese de coligação com PS, o que não admira.

Portanto, o plano que se vai apresentar andará à volta de acordos ora à direita, ora à esquerda (consoante o tema) na Assembleia da República. A única questão será qual o "preço" que cada partido exigirá ao PS por uma abstenção numa determinada votação.

O panorama de "caos" governativo parece-me, manifestamente, exagerado. Guterres governou (ok, é discutível) durante 7 anos com uma maioria relativa. Antes dele, outros o fizeram. 

O exercício dum Governo não se prende unicamente com aprovação de leis.


Deixo para último uma pequena análise ao importante resultado do CDS.

O CDS cresceu, o que é muito saudável para esta democracia, principalmente tendo em conta o alarmante peso da extrema-esquerda (fenómeno quase único na UE). De facto, o CDS, por si só, impediu uma maioria absoluta PS+BE ou PS+CDU. Facto digno de se salientar.

A grande questão estratégia que se coloca ao CDS para o futuro só pode ser uma: fazer oposição responsável, apresentar-se como A alternativa aos sucessivos governos formados por dois partidos sociais-democratas e representar, conglomerando o melhor possível, o centro-direita português.

O CDS chegou aos 2 dígitos. Tem de os cavalgar, não se pode contentar.

Já foi um partido com 16%, há que tentar sê-lo outra vez.

sábado, 26 de Setembro de 2009

Como é que conseguimos?

Como é que conseguimos ser o país que continuamente se encontra no fim dos rankings europeus?

Como é que conseguimos ser o país que é ultrapassado pelos países de leste, que ainda agora aderiram à UE?

Como é que conseguimos ser o país da UE que menos cresceu desde que a esta aderiu?

Como é que conseguimos ser o país que mais verbas comunitárias desperdiça?

Como é que conseguimos ser o país que menos aproveita os seus recursos?

Como é que conseguimos ser o país que importa 95% dos produtos alimentares?

Como é que conseguimos ser o país que deve 85% daquilo que produz?

Como é que conseguimos ser um dos países com maior carga fiscal na UE?

Como é que conseguimos ser um país que promove mais o subsídio do que o trabalho?

Como é que conseguimos ser um país onde o Estado domina cerca de 50% da economia?

Cono é que conseguimos ser um país que não consegue olhar "lá para fora" e aprender com os outros?

Como é que conseguimos ser o país da UE onde a esquerda tem mais peso a nivel de representação parlamentar?

Como é que conseguimos ser o único país da europa que alterna o poder entre dois partidos de matriz social democrata?

Como é que conseguimos ser um país onde se acha que a alternativa é estar mais à esquerda e ser mais socialista?

Como é que conseguimos ser um país com uma extrema-esquerda com quase 20%?

Como é que conseguimos ser um país que não aprende com a história e já esqueceu o PREC?

Como é que conseguimos ser um país com um centrão social-democrata de 65%?

Como é que conseguimos ser um país que não percebe que é esse o problema?

Como é que conseguimos ser o país que acha que votar nos mesmos, desta vez, será diferente?

Como é que conseguimos?

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

A cabeça de Louçã

"Em vésperas de eleições, Francisco Louçã deu uma entrevista à
revista Sábado em que tenta explicar qual é a "identidade" do Bloco.
Primeiro, declara com insistência que o "Bloco" tem, coisa duvidosa,
uma "identidade" e, depois, revela que o Bloco é a "esquerda
socialista".
Que "esquerda socialista"? A que rejeita "um modelo assente na
desigualdade social e na exploração" e, ao mesmo tempo, o "modelo da
União Soviética" e o "modelo da China". Do "modelo" que fica entre
estas duas rejeições, Louçã não fala."
...
"Louçã não sabe - ou talvez prefira não dizer - como vai (em
democracia) acabar com a "desigualdade social" e a "exploração".
Nacionalizando os meios de produção, à boa maneira chinesa e
soviética? Ou alargando o Estado providência até ao (curto) limite
do possível?"
Pelo meio, diz que uma elite "tentacular" e degenerada, é a
responsável pelo "problema estrutural".
"A propósito, cita Antero (que, de certeza, não leu ou percebeu), sem
lhe ocorrer que subscreve, em nome do Bloco, uma das mais
reaccionárias teorias sobre o atraso do país. Claro que o Bloco,
coitado, se julga a nova elite."

Vasco Pulido Valente no Público

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Amália ontem, hoje e sempre.

Não me venham cá com tretas.

Não vale a pena pegar em qualquer canção de Amália.

Amália é Amália, e mais nada.

domingo, 2 de Agosto de 2009

Desporto político

O português eleitor (ou potencial eleitor) de direita é um caso digno de estudo.
O típico eleitor de direita padece de algo bastante afecto ao futebol: o clubismo.

Ou seja, o eleitor médio de direita, visto bem, poderá nem ser muito laranja... Mas votará laranja porque tem maiores hipóteses de ganhar. E não nos enganemos, o ganhar tem muita importância para o eleitor médio.

Esse eleitor, apesar de provavelmente se identificar mais com os azuis, acha que mais vale apoiar os laranjas porque dessa maneira podem ganhar aos rosas. O facto de os laranjas nem serem muito bem de direita e os azuis o serem claramente, pouco interessa para o eleitor médio de direita.

Toda a gente gosta de ganhar.
O eleitor médio de direita também.